mercoledì 17 dicembre 2014

Da evolução da arte: o caso do "Signor Bonaventura"

Como deve ser escrita e estudada a história dos quadrinhos? O cinema e a literatura devem tomar parte, especialmente com o crescente contato entre estas artes? Ou corremos o risco de tornar as HQs uma arte subserviente às demais, incapaz de desenvolver seus próprios métodos e referências? Na historiografia de literatura, é um problema há muito reconhecido a tentativa de isolar o fato literário dos demais fatos, mesmo quando, a partir das lições do século XIX, geralmente se entende o produto artístico como consequência do meio: frequentemente busca-se escrever uma história na qual figure apenas aquilo que é considerado literatura (um conjunto de fatos artísticos muito mais fluido de quanto se costuma imaginar), relegando obras claramente relacionadas a diferentes expressões de um mesmo contexto de origem. É um problema daquela prática de se considerar uma obra como fruto do meio onde é produzida ou do autor que a produz, que para o âmbito dos quadrinhos pode perfeitamente acabar por resumi-los a "literatura para quem não é capaz de ler". Esta angústia pela forma de estudo, para superar as histórias da literatura que simplesmente encadeiam em ordem cronológica autores e obras, geralmente oferecendo uma pequena biografia dos primeiros que prepara a rápida resenha das segundas, foi e é uma discussão recorrente dos estudos literários desde as primeiras histórias da literatura no século XIX, quando essência do conceito de "literatura" se torna aquela que possuímos ainda hoje, especialmente em duas vertentes separadas no tempo e no espaço: os chamados "formalistas", da Rússia do Entre-Guerras, e a "estética da recepção", da Alemanha Ocidental dos anos '60 e '70.

Yuri Tynianov (1894-1943)
Um importantíssimo nome do primeiro grupo foi Yuri Tynianov (também grafado "Tinianov") que, ao investigar a história da literatura, se viu obrigado a compreender o conceito de "evolução" literária. Num curto mas brilhante ensaio sobre o tema, Tynianov discutia como a literatura precise ser estudada como "sistema" que considere funcionalmente todas suas componentes (consideradas literárias ou menos), e como a expressão "história da literatura" se refira a duas diferentes investigações, que requerem duas diferentes metodologias: por um lado o estudo da gênese dos fatos literários (em nosso caso, como surgiram os quadrinhos) e, por outro, o estudo da variabilidade dentro da "série" da literatura. Como na descrição de Branco (2014), que incorpora citações de Tynianov:
A noção fundamental da evolução literária corresponde à substituição de sistemas, sustenta Tinianov, para em seguida afirmar que «a obra literária constitui um sistema» e a literatura outro. É possível isolar o assunto, o estilo, o ritmo e a sintaxe na prosa e o ritmo e a semântica na poesia, mas estes elementos estão em interacção e cada um desempenha diferentes papéis em distintos sistemas. A função construtiva de um elemento da obra literária como sistema corresponde à sua possibilidade de se correlacionar com os outros elementos do sistema: "O elemento entra simultaneamente em relação com a série dos elementos semelhantes que pertencem a outras obras-sistemas, isto é, a outras séries, e, por outro lado, com os outros elementos do mesmo sistema (função autônoma e função sínoma). Assim, o léxico de uma obra entra simultaneamente em correlação, por um lado, com o léxico literário e com o léxico tomado no seu conjunto; por outro lado, com os outros elementos desta obra. Estas duas componentes, ou antes estas duas funções resultantes, não são equivalentes".
Uma consequência é impossibilidade de se estudar qualquer arte isoladamente, pois o material (os sistemas) de uma necessariamente migram e são reaproveitados. Cabe lembrar um exemplo concreto, dado por Tynianov em seu estudo sobre a paródia em Dostoiévski e Gogol: nos séculos XVII e XVIII a literatura russa se tornou um exercício extremamente abstrato e rebuscado, muito distante da "vida comum", baseado na composição de líricas de estruturas, sintaxes e vocabulários quase incompreensíveis. Quando o público se saturou destas poesias e se mostrou interessado em narrativas, não havia nenhum modelo literário próximo no qual se espelhar; uma das soluções foi se apropriar das técnicas narrativas encontradas nas cartas, que, muito longe de serem consideradas "arte literária", nunca haviam deixado de ser escritas e quase invariavelmente continham relatos. Em pouco tempo, o estilo das cartas foi copiado, imitado, destilado, e alguns romances, seguindo outros exemplos europeus, foram compostos usando quase unicamente cartas.

As impostações dos questionamentos do século XX na historiografia literária certamente poderão ser empregados para o estudo dos quadrinhos; é, no fundo, um dos motivadores deste blog.

Em termos de contato entre sistemas, há um caso particular, de quadrinhos parte de minha infância e que lia semanalmente nas páginas do italiano Corriere dei Piccoli. Pensando com mais de vinte anos de distância, talvez fosse justamente seu traço art-nouveau e seus versos que me causavam o "estranhamento" -- aquilo que Viktor Chklovski, outro dos principais nomes do formalismo russo, chamou em seu artigo "A arte como processo" de остранение, para definir o efeito criado pela obra de nos distanciar da ordem com a qual aprendemos e percebemos o mundo e a própria arte, que nos permite "estranhar". É aquela singularidade, que pode ser alcançada por vários meios, que faz da arte "boa".

Um momento... art-nouveau e poesia? Em quadrinhos? Sim, eis o estranhamento.

Il Signor Bonaventura
O Signor Bonaventura é uma personagem de histórias em quadrinhos italiana, criado em 1917 por Sergio Tofano (1886-1973), em arte "Sto", um verdadeiro polímata das artes italianas: ator, diretor, roteirista, desenhista, caricaturista e escritor. É um personagem do traço simples e rápido (parte do sucesso entre as crianças italianas era certamente devido à facilidade de reproduzi-lo), sempre vestido com uma espécie de fraque vermelho e largas pantalonas brancas, acompanhado por um cachorro dachshund chamado, simplesmente, de "bassotto" (o nome da raça em italiano). Publicado no Corriere dei Piccoli ("Correio dos pequenos", a revista infantojuvenil de maior sucesso do país, nascida como suplemento dominical do jornal Corriere della Sera e publicada entre 1908 e 1995) foi um sucesso imediato e continuou a ser publicado sem interrupções por vinte e seis anos, até 1943. Foi retomado por Sto entre os anos '50 e '60, e a partir de meados dos anos '80 foi passado pelo autor às mãos de Carlo Peroni (em arte "Perogatt"), outro grande nome dos fumetti, falecido em 2011. Com republicações e algumas tiras especiais, especialmente publicitárias, a série durou até o início dos anos 2000, com uma grande coletânea publicada em 2010.

Os dois grandes diferenciais do Signor Bonaventura são a sua forma sem balões e com "didascalias" em versos rimados (que permitem mesmo questionar o tratar-se de "quadrinhos") e a intersecção com outras artes, em especial com o teatro. Vejamos cada uma.

As histórias dos Signor Bonaventura seguiram, durante seus mais de setenta anos, uma forma extremamente regular: seis ou oito quadros com o estilo de traço já descrito, sem balões, cada quadro com uma descrição ("didascalias", como no teatro) constituída por dois dísticos de ottonari (verso da poesia italiana equivalente, grosso modo, ao raro eneassílabo da poesia portuguesa), com rima ABAB ou ABBA, geralmente iniciando por "Qui comincia la sciagura / del Signor Bonaventura" [Aqui começa a desventura / do Senhor Bonaventura]. Apesar das rimas simples, a linguagem era frequentemente áulica e alta, em contraste com o traço simplíssimo já lembrado. O roteiro igualmente seguia um esquema bastante determinado: de alguma "desventura" do protagonista logo resultava, sem que o pretendesse, a salvação de alguma personagem que, no último quadro, o recompensava com "un milione" (um milhão de liras, quantia astronômica nos primeiros anos da série quando o "suplemento ilustrado" custava dez centavos, transformada em "un miliado", ou um bilhão, após a inflação dos anos '40). À personagem principal de Bonaventura e seu companheiro de quatro patas se juntam algumas decididamente secundárias mas recorrentes, como a esposa (uma anônima princesa, introduzida já em 1917), o filho Pizzirì (basicamente um Bonaventura em miniatura), o comissário Sperassai ("muito espera"), o principal "supervilão", o esverdeado Barbariccia, e a mais recorrente entre as personagens eventualmente salvas por Bonaventura, o "bellissimo Cecè" (diminutivo de Cesare), perfeito representante do mundo do herói povoado por ricos (e generosos) reis, condes, barões, empresários. É um personagem inspirado na peça homônima de Luigi Pirandello de 1913, Cecè, onde com humor cínico se narra a história do bon viveur Cesare, o qual, frente ao cenário de corrupção e escândalos políticos da Roma do entre-guerras, se mantém na vida enganando as pessoas.

Signor Bonaventura, Corriere dei Piccoli, 19 de julho de 1959
Vejamos este exemplo, já do segundo ciclo de publicações, ainda sob a pena de Sto e com um pouco mais de liberdade nos versos (sobretudo na minha tradução, para tentar manter as rimas):

1. Il signor Bonaventura
Ottimista per natura

il figliolo in piazza reca
per giocare a moscacieca.

2. Contemplateli contenti
l'uno e l'altro al gioco intenti:

a tentoni il buon papà
Pizzirì cercando va.

3. Ma l'eterno suo rivale
Barbariccia, il criminale

che gli fa la vita amara,
un tranello gli prepara.

4. Inciampando nel cordino
capitombola il meschino

e va a sbattere diritto
contro un uscio a capofitto.

5. S'apre l'uscio e proeittato
come un missile lanciato

con la zucca - guarda caso!
centra in pieno antico vaso.

6. Cade il vaso con fragore
e da quello il possessore

sbucar vede sbalordito
vecchio rotolo ingiallito.

7. Certo c'è in quel documento
lo scomparso testamento

fin ad or cercato invano
dall'amato zio Gaetano.

8. E poichè da qui si vede
ch'è lui solo, lui l'erede

suo dovere è compensare
chi lo fece ritrovare.
1. O Senhor Bonaventura
Otimista por natura

o filhinho à praça leva
para brincar de cabra-cega.

2. Contemplem-nos contentes
o um e o outro ao jogo participantes:

tateando o bom papai
Pizzirì buscando vai.

3. Mas o eterno seu rival
Barbariccia, o criminal

que lhe torna a vida amarga,
uma armadilha lhe prepara.

4. Tropeçando no fiozinho
cambalhota o magrinho

e vai a bater direto
contra um umbral de cabeça.

Abre-se a porta e projetado
como um míssil atirado

com a cabeça - quem diria!
acerta em cheio antigo vaso.

6. Cai o vaso com fragor
e de ele o possuidor

surgir vê espantado
velho pergaminho amarelado.

7. Claro que está no documento
o sumido testamento

até então buscado em vão
pelo amado tio Gastão.

8. E já que dele se aprende
qu'é ele somente, ele o herdeiro

seu dever é compensar
quem lhe fez encontrar.

Os versos, apesar do ritmo e do metro quase infantil, tem os traços de toda a tradição poética ocidental: enjambement (a distribuição de uma mesma frase em mais versos), assonâncias, supressão de palavras, epênteses (adição de vogais incomuns ou desnecessárias para fechar o metro), palavras rebuscadas e raras. O uso de versos, em si, não era absolutamente inovador nos primeiros quadrinhos italianos: o primeiro Corriere dei Piccoli, de 1908, já utilizava este formato (em baixa resolução, infelizmente) e o mesmo ocorre na outra capa, de 1911, a história dos não melhor identificados "Moritz Hans e Franz" (similar à famosa The Katzenjammer Kids, mas mais adequada à boa moral dos filhos da burguesia de Milão -- é uma curiosidade válida de citar que o projeto estava a cargo de Paola Lombroso Carrara, filha do conhecido e "debatido" médico criminalista Cesare Lombroso) também contada em versos:

Corriere dei Piccoli, 1908 (primeira capa)


Moritz Hans e Franz, Corriere dei Piccoli, 9 de julho de 1911
Na tradução (sempre minha e com as mesmas ressalvas):

1.- "Starò fuori un mese, e porto
via la chiave del mio orto, -

dice Franz - ma è caldo assai
e purtroppo i miei rosai,

2. che nessun più avrà innaffiati,
troverò certo seccati..."

Il rimedio al triste caso
già sa Moritz che ha buon naso.

3. Una secchia e una lunga asta,
ecco ciò che al caso basta:

farà il resto il buon mulino -
pensa il furbo olandesino.

4. Secchia ed asta ecco legata
alla pala smisurata,

e versata ecco parecchia
acqua fresca entro la secchia.

5. Già si mette pian col vento
la gran pala in movimento.

Sembra dire: "- Franz, vedrai,
ci son io pei tuoi rosai".

6. Dice or Moritz, mentre gronda
sui rosai l'acqua e li inonda:

"- Caro Franz non seccheranno
s'anche state fuori un anno".
2. -"Estarei longe mais de mês, e levo
embora a chave da minha orta, -

diz Franz - mas está quente assaz
e infelizmente meu roseiral,

2. que ninguém mais terá regado,
encontrarei certamente secado..."

O remédio ao triste caso
já sabe Moritz que tem bom faro.

3. Um balde e uma longa haste,
e tanto que ao caso baste:

fará o resto o bom moinho -
pensa o esperto holandesinho.

4. Balde e haste eis ligadas
à pá exagerada,

e versada eis bastante
água fresca dentro ao balde.

5. Já se começa aos pouco com o vento
a grande pá seu movimento.

Parece dizer: "- Franz, verás,
tens a mim para os roseirais".

6. Diz agora Moritz, enquanto goteja
sobre as rosas a água e as inunda:

"- Caro Franz não secarão
nem que fiques longe um ano".


O estranhamento dos versos nos quadrinhos do Signor Bonaventura é devido apenas à pouca familiaridade que temos com eles; na verdade, quando foi lançado, em 1917, a nova tira se enquadrava perfeitamente, sem inovações, no estilo da revista.

Combinado ao sucesso publicitário (foi usado desde a promoção para o financiamento da reconstrução do país após a guerra até a introdução do euro na virada do milênio), essas características já seriam suficientes para fazer o senhor Bonaventura merecedor de uma nota (ou ao menos de um post). Mas, como já dito, há outro detalhe praticamente único na história desta personagem de quadrinhos: o desenvolvimento interligado ao teatro italiano, especialmente à tradição da Commedia dell'Arte. Sto era um pluriartista e um amado ator de teatro, cinema e televisão, e até o final dos anos cinquenta uma das personagens mais encenadas pelo ator era justamente o Signor Bonaventura.

Barbariccia e Signor Bonaventura (fonte)

A descrição da personagem, as fotografias das encenações, a estrutura das tramas e uso da poesia, combinadas à tradição italiana da Commedia dell'Arte ainda bastante viva na primeira metade do século passado (para dar um único exemplo, baste pensar que Totò, o mais querido personagem do cinema italiano, é uma evolução sui generis das máscaras napoletanas da Commedia) deveriam fazer imediatamente saltar aos olhos a gênese do Signor Bonaventura: apesar dos recursos gráficos e narrativos dos quadrinhos que na época eram importados dos Estados Unidos, se trata de uma evolução da tradição da Commedia dell'Arte.

A commedia dell'arte, cabe lembrar, é, mais um que gênero, uma modalidade de produção dos espetáculos teatrais popularizada na Itália, e sucessivamente na França, entre os séculos XVI e XVIII. As peças não eram baseadas em roteiros escritos, mas em canovacci, uma espécie de descrição genérica e superficial das peças, que não entrava nas minúcias da representação. Os canovacci eram, na prática, as deixas que permitiam a improvisação por parte dos atores, que durante as peças entremeavam lazzi (ações cômicas bem ensaiadas e distintivas das personagens) e diálogos, tudo com uma cenografia mínima. Primeira efetiva profissionalização da atividade teatral, a Commedia dell'Arte tinha peças estruturadas na caracterização bastante definida de muitas personagens ("máscaras"), algumas das quais, apesar das esperadas alterações devidas ao tempo, ainda são conhecidas: entre dezenas de outroas, Arlecchino, Colombina, Pierrot, Pulcinella, Pantaleão.

Representação de uma trupe da CA (final do séc. XVI), anônimo, Musée Carnavalet

Sto tinha plena consciência da tradição que representava, e sentia enorme prazer em certas descrições do Signor Bonaventura como "ultima máscara da Commedia", apesar de deixar vir à tona, na aparente infantilidade da obra, uma enorme bagagem de outras referências, de Metastasio aos futuristas na literatura, do liberty (o "art nouveau" na interpretação italiana) ao cubismo no traço.

É hora de voltar à questão da história dos quadrinhos. A mais evidente distinção entre o Signor Bonaventura e os quadrinhos em geral é certamente a forma da "didascalia", aprendida dos "proto-quadrinhos" americanos da segunda metade do século XIX (que por sua vez reinstauravam uma prática da qual se encontram testemunhos já no Renascimento e que havia sido introduzida por aquele hoje considerado o precursor dos quadrinhos, o suíço Rodolphe Töpffer), como Ally Sloper de Charles Ross. Se havia alguma diferença na forma -- especialmente considerando o ambiente italiano, no qual a palavra para quadrinhos é "fumetti" ("balõezinhoes") -- nunca ouve, contudo, diferença no consumo, e tanto público quanto suporte físico inscrevem claramente a obra de Sto no âmbito dos quadrinhos. Além disso, é interessante como as novas experiências, devidas à popularização da graphic novel (que requer novas soluções) e a pluralidade dos quadrinhos indie ou alternativos (ao menos desde Harvey Kurtzman e Robert Crumb), acabam por vezes levando, hoje, a soluções mais próximas àquelas de Bonaventura, apesar do estranhamento dos versos ter pouquíssimos, quando algum, paralelos.

Alexander "Ally" Sloper, por Charles H. Ross (1867)


É um caso peculiar da influência entre as séries artísticas, de apropriação e adaptação. Contudo, apesar do sucesso de público e de uma certa influência na cultura italiana, Signor Bonaventura parece literalmente uma obra única, incapaz de influência ativa na continuidade do gênero: apesar de alguns traços distintivos, às vezes exagerados pelo sentimento nacional que permanece bastante forte, os quadrinhos italianos seguiram linhas de desenvolvimento paralelas àquelas americanas, podendo ser bem representado pela Disney italiana (cabe lembrar que uma parte considerável dos quadrinhos da Disney, inclusive daquele publicados no Brasil, é produzida na Europa, especialmente na Itália e na Dinamarca) e pelo Tex de Gian Luigi Bonelli. A vantagem da postura de evolução artística sugerida por Tynianov é que talvez um dia as lições do Signor Bonaventura possam ser recuperadas, mesmo que em um nicho, ao se buscar algumas soluções que uma leitura auto-referencial dos quadrinhos não seja mais capaz de satisfazer. É, de certo modo, a leitura que podemos fazer também das graphic novels dos anos '80: sua inovação estava justamente em buscar, muito mais que novos desenhistas que se mostravam cada vez mais hábeis, novos roteiristas capazes de quebrar a autoreferencialidade dos quadrinhos de super-heróis colocando o dedo na ferida dos super-poderes com interpretações bastante inovadoras e que buscava soluções em outras artes: é o caso de Sandman e Watchmen.

Referência

BRANCO, Isabel R. A. A recepção das literaturas hispano - americanas na literatura portuguesa contemporânea: edição, tradução e criação literária. (tese de doutoramento). Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2014. (fonte)

Nessun commento:

Posta un commento